25 de abril de 2017

Outras revoluções de Abril

Uma data tem o peso e a responsabilidade que lhe damos. As revoluções começam dentro de nós. Mas passo a explicar.
Era uma vez duas pessoas apaixonadas, duas pessoas com uma personalidade forte, duas pessoas generosas, carismáticas e acima de tudo verdadeiras. Estas duas pessoas de que falo, conseguiram agregar à sua volta muitos amigos (daqueles que só nos querem bem) e manter essas amizades de uma forma natural e espontânea.
Como já o disse aqui, uma dessas pessoas, faz anos dia 24 de Abril, e desde há quase 2 décadas que o 25 de Abril, para além da celebração nacional de liberdade que todos celebramos, tem sido para mim (e não só) uma tradição de reencontro, de celebração da amizade e da vida.
Gostamos de tradições, gostamos de sentir o conforto do que sempre foi, mas por vezes esquecemos é que a vida é uma constante mudança, e o que temos de mais certo, pode mudar de um momento para o outro. E neste caso mudou. A separação entre duas pessoas de quem gostamos muito aconteceu, e como quase sempre, os amigos ficaram sem saber para que lado se virar. É muito complicado, para quem está de fora, encontrar a via certa numa separação entre amigos. Sabemos que ambas as partes sofrem, sejam quais forem os motivos, sabemos que não nos diz respeito, queremos ajudar, mas a neutralidade só é fácil nas máquinas. Nós humanos temos toda uma bagagem emocional a dificultar esse processo.

Por isso neste 25 de Abril, é dia de mais que uma revolução. É dia de aceitar que nunca mais será o mesmo 25 de Abril, mas que apesar de diferente, pode ser igualmente espectacular. É dia de assumir a nossa maturidade, de aceitar as nossas fraquezas e de fazer parte do processo de mudança de uma forma construtiva. Cada um de nós sabe, que por mais que pensemos que não, todos mudamos, todos crescemos diariamente como pessoas, e que muitas vezes, duas pessoas juntas e apaixonadas crescem em direcções diferentes, e não faz mal. Encaremos a mudança de frente, com a verdade e frontalidade que merece. Aceitemos-la como fazendo parte da vida real, sem juízos de valor, e desta forma tudo se tornará mais simples. Pode haver negação, dor, decepção, mas quando o respeito prevalece o tempo encarrega-se do resto. 


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