1 de maio de 2017

O oposto de só

Hoje, neste primeiro dia do meu Maio senti-me só. 
Com os amigos habituais fora, a aproveitar este fim-de-semana prolongado, o meu filho a andar de patins com o pai, e a casa vazia, questionei o que me apetecia fazer verdadeiramente. Não tive uma resposta imediata.
O dia lá fora, solarengo e luminoso, dizia-me que era uma pena desperdiça-lo, ficando cá dentro. 
Saí, ainda que sem rumo, saí. Naturalmente fui parar a um dos meus jardins preferidos. Não levei um livro, não levei uma revista, nada. Sentei-me na esplanada a bebericar café, e não tendo por hábito ficar agarrada ao telemóvel a vaguear nas redes sociais, acabei por me aborrecer só de ficar ali, com o zumbido das milhentas conversas que me rodeavam. Meia hora depois, sentia-me a mais. Como se sozinha não tivesse o direito de ali estar. Rodeada de famílias, casais, grupos de amigos. 
Claro que não fazia sentido, no entanto, pouco habituada a estar sozinha, senti-me mesmo assim. A mais. 
Levantei-me, e caminhei por ali, como tantas vezes já fizera noutros dias, mas desta vez sem precisar de manter o olhar constante nas diabruras da minha criatura pequena. Senti-lhe a falta confesso. Poisei num dos bancos de pedra que o jardim oferecia a quem os quisesse ocupar, e observei por alguns minutos as pessoas que por ali passaram.
Resolvi perder a vergonha de parecer estranha, e deitei-me no banco de olhos fechados a sós com os meus pensamentos. A dado momento, lembrei-me da minha amiga que vive no meio do oceano Atlântico, e decidi ligar. Não falávamos há demasiado tempo, mas com ela tempo é mesmo a palavra chave. Porque sempre que lhe ligo (não são assim muitas as vezes) as horas voam, e é até acabar a bateria. Também hoje foi assim. Porque uma amizade sólida também é isso, é não sentir o tempo. é gostar, partilhar, ouvir. Mesmo quando se está a milhares de quilómetros, mesmo quando o contacto é escasso. Deitada no banco do jardim ao sol, (ainda assim com frio), sozinha (duas horas) ao telefone com a minha amiga, senti-me o oposto de só.




Esta foi a selfie que lhe enviei, deitada no banco de pedra, porque ela queria que lhe mostrasse o que estava a fazer.

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