7 de maio de 2017

Ser Mãe

Hoje, vou ligar à minha mãe. 
Vou ligar, e dizer-lhe o quanto ela é especial. 
Vou dizer-lhe que entendo, muito do que me dizia, em miúda. Porque agora entendo, e há coisas que têm que ser ditas.
Vou dizer-lhe que sei que fez o melhor que sabia. Porque uma mãe é assim mesmo. Generosa, humana, (im)perfeita. Vou dizer-lhe que apesar de discordar dela em quase tudo, de sermos muito diferentes, somos mais parecidas do que alguma vez julguei possível. Tantas vezes (demasiadas), dou por mim a dizer ao meu filho frases que lhe ouvi, a repetir gestos iguais, inconscientemente, que não sabia que me tinham ficado gravados.  
Quando olho para o meu filho, ainda ontem um bebé de colo, e hoje um menino que acha que é crescido, percebo a velocidade a que o tempo corre por nós, e fico apreensiva. Os filhos crescem depressa demais. Dei por mim a pensar no que terá ela sentido quando aos 18 anos, escolhi uma faculdade a mais de 500 km de casa. Dei por mim finalmente a entender, que ela insistir para que eu ficasse em Bragança, na escola de Enfermagem (numa profissão para a qual nunca tive vocação), não era falta de confiança, ou egoísmo, era medo do desconhecido, medo do mundo grande demais, medo de me perder. 
Ao pensar nisso tudo, adivinho-lhe a angústia. Penso nisso, e percebo como foi forte ao deixar-me ir, apesar de tudo o que sentia. Porque uma mãe sabe que a partir do momento que um filho nasce, deixa de ser só seu. 
A partir do momento que o põe cá fora, a sua missão é prepará-lo para o mundo onde chega. Fazendo em cada dia o seu melhor, para que se transforme num adulto independente e feliz. Por mais que a independência custe.
E tu fizeste o teu melhor. Já o sabia. No fundo sabia-o. Mas só depois de ser mãe como tu, é que o percebi verdadeiramente. Porque há coisas que só se percebem quando se sentem. 


E vocês já disseram hoje à vossa mãe o quanto ela é especial?

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