30 de abril de 2019

Retratografia #4


Self-portrait,  é o mote deste mês no desafio de retratografia.
Não sou pessoa fácilmente fotografável. Digo-o desde que deixei a descontracção da infância. Digo-o ainda mais veemente, desde que comecei a perceber de que lado da máquina fotográfica me sinto mais à vontade. E digo-o com sinceridade. 
É verdade que já uma ou outra vez, resultado de momentos descontraídos, e/ou, de fotógrafos com talento, o resultado até foi agradável, no entanto, é para mim, estranho e desconfortável prestar-me à actividade de ser fotografada. 

Quando percebi que em Abril, o tema era precisamente o auto-retrato, vi que vinham por aí sarilhos... Confesso-vos, que o meu cérebro, gastou alguma energia a congeminar de que forma poderia dar a volta à situação. 
Um destes dias, encontrei a foto abaixo, e imediatamente percebi que tinha caminho fácil para escapar, sem fazer batota, a todo um processo que adivinhava um bocadinho calamitoso.


Podia ter deixado as coisas assim, e também estava bem. Podemos aceitar as nossas fragilidades e seguir em frente. Mas... senti-me um bocadinho fraude. Sei que ninguém mo diria. Sei que esta foto, cabe no tema e serviria o propósito, no entanto, no meu intimo, ouvia aquela vozinha que diz "maricas..., preguiçosa, nem te esforçaste". 

Porquê o medo de me expor? Porque é que nem me dou a oportunidade de experimentar e ver no que dá?  
fiquei com estas questões dentro de mim. E posso dizer-vos que não gostei de todas as respostas que me foram chegando. 
No dia 25 (de revoluções portanto...), estando sozinha em casa, decidi tentar. Montei o cenário (até parece coisa de profissional), e aventurei-me numa sessão fotográfica estilo ora agora sou fotógrafa, ora agora sou modelo
O resultado, surpreendeu-me um bocadinho. Não sendo perfeito, traz-me algum orgulho, porque consegui vencer o medo do falhanço e calar aquela vozinha irritante que (tantas vezes) me impede de sair daquele lugar quentinho e seguro, que é a zona de conforto.












Falando de um ponto de vista mais técnico, também não foi fácilQueria jogar um pouco com a contra-luz, usando a luz e as sombras. Escolhi uma janela, mas num dia nublado, com apenas 10 segundos no timer, as dificuldades com o foco, a velocidade e a profundidade de campo, foram mais que muitas. Resultado: fotos desfocadas, sobre-expostas e sub-expostas ... ás dúzias, ainda assim, o erro mostra por onde é o caminho, e a aprendizagem foi bastante divertida.
Senti-me confortável na pele de modelo? não. Tenho muitas fotos com cara de enjoo que foram rejeitadas. No entanto também aconteceu um ou outro momento mais descontraído, mais espontâneo, e no fim consegui escolher um punhado de fotos. 

Por isso agora, digam vocês da vossa justiça, que eu estou ansiosa por ver que caminho seguiram neste desafio os meus colegas de retratografia. 





Para quem quiser saber mais acerca deste desafio, vejam aqui  mais informação. Se gostaram vejam também  Março e restantes meses.


11 comentários:

  1. Adorei que tenhas saído da tua zona de conforto. E sabes que mais? Ficaram belíssimas as fotos. Agora é continuar a treinar. ;)

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    1. Obrigada. Tenho que me render ao facto que até me diverti, e que no fim também gostei de algumas fotos.

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  2. Acho que ora fotografa ora modelo te saíste muito bem.
    Xoxo

    marisasclosetblog.com

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  3. ainda bem que ousaste arriscar! o resultado está fantástico, muito melhor que a bela foto que apresentas de início. Parabéns!

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    1. Arriscar acrescenta sempre algo á nossas vida. Pena que nos esquecemos disso muitas vezes

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  4. NATÁLIA! SUA LINDA!
    As a preto e branco são as minhas favoritas, têm uma aura muito delicada e especial.

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    1. Na verdade, não me conseguia decidir na escolha. Não tive a ajuda do filhote, por isso acabei por deixar a preto e branco a fase menos descontraída, e a cores a mais solta.

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  5. Oh Natália! E estiveste tão bem! Que revolução boa - o primeiro passo para enfrentar os nossos medos é reconhecê-los. Caramba, e tu deste-lhes uma coça! Aquela última foto a P&B está linda, mesmo <3

    Jiji

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    1. Obrigada, também é uma das minhas favoritas. As sombras acentuaram linhas e criaram um bocadinho de drama.

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